Perseguição e tiro na cabeça: os últimos passos de Gustavinho, morto pela PM na Favela do Siri

Adolescente de 17 anos estava desarmado e não era alvo da operação policial que o vitimou. Jovem auxiliava na criação dos irmãos 

Reportagem de Rodrigo Barbosa

O constante entra e sai de moradores na Servidão São Pedro, beco estreito com chão de areia na Favela do Siri, indicava que 31 de março não era um dia qualquer. 

Na margem direita da viela, que é da largura de um carro popular, pelo menos uma dezena de cadeiras de plástico foram colocadas lado a lado. Por ali, debaixo de um sol de mais de 30 graus, moradores – em sua maioria, vestidos de preto – compartilhavam memórias. 

Ele era mil grau, né amiga?”

Quem lavava as roupas dele era eu”.

Ele adorava Nutella”.

“Deram tiro na cabeça dele…”.

À frente das cadeiras, um corredor estreito estava igualmente tomado por moradores. Escorados na parede, se abraçavam com os olhos cheios de lágrimas e o coração cheio de dor. Olhavam na direção de uma salinha escura, sem janelas, ao final do corredor. 

Aquela região da comunidade estava sem energia elétrica desde às seis horas da manhã. Permanecer dentro da sala naquele dia quente, no escuro e sem ar condicionado, era uma prova de resistência que, em uma terça-feira qualquer, poucos se arriscariam a encarar. 

Mas aquela não era uma terça-feira qualquer. O calor não impediu que a sala de culto da Assembleia de Deus da Favela do Siri ficasse lotada por seis horas seguidas.

Aos pés do púlpito da igreja, o corpo de um adolescente descansava em um caixão, com duas coroas de flores ao seu lado. Amigos e parentes, em especial a avó, choravam ao redor. Morto aos 17 anos pela Polícia Militar com disparos de fuzil na cabeça três dias antes, Gustavinho estava em casa pela última vez. Sua comunidade o abraçava no dia da despedida. 

Meio gaúcho, meio manezinho

Se chegar aqui na favela e perguntar quem ele era, todo mundo vai falar que era um guri mil grau”, conta a mãe de Gustavo.

Sua família é uma das várias famílias empobrecidas gaúchas que buscaram no estado vizinho, Santa Catarina, melhores perspectivas para seus futuros. Na época da pandemia de Covid, em 2020, deixaram a periferia de Porto Alegre e vieram morar na Ilha da Magia.

Mas, para uma família empobrecida, viver à beira-mar não é sinônimo de luxo. Assim que chegaram em Florianópolis, os Mahioski se instalaram na Favela do Siri, em meio às dunas dos Ingleses – bairro litorâneo do Norte da Ilha. Buscariam um recomeço em meio à areia e casinhas de madeira.

Favela do Siri, no bairro dos Ingleses. Foto: Rodrigo Barbosa

Gustavinho era uma criança de 11 anos quando se tornou morador do Siri. Embora não tenha nascido no território, foi adotado por seus moradores e viveu o restante da infância como se fosse cria dali. Sua mãe se recorda com carinho da dedicação que o pequeno Gustavo tinha com a escola, para onde ia todos os dias “com o cabelo lambido”. 

Tímido, o menino tinha no celular uma de suas brincadeiras favoritas na infância. “Ele ia lá em casa brincar com os meus filhos quando era menorzinho. Ficava até tarde lá jogando Free Fire”, lembra um morador. Gustavinho também era apaixonado por futebol, e às vezes ficava na rua jogando bola até a noite. 

Ele era de boaça, mano. Era só Gudang, pitchulinha e celular. Jogava muita bola também. Onze hora da noite, ele pegava uma dose no Negão e ia pra baia”.

No começo da adolescência, Gustavinho teve que assumir o papel de chefe de família. Ele era o mais velho de quatro irmãos. A ausência do pai fez com que o jovem tivesse que assumir responsabilidades na criação dos três mais novos. Gustavo era a principal âncora de sua mãe nos momentos de dificuldade, que não eram raros.

Ele sempre foi responsável por ser pai dos meninos. E às vezes, era o meu também. É um guri que não tem o que falar, era muito responsa. O meu filho de 15 anos agora vai ter que ser o homenzinho da casa. Que merda, né?”

O garoto conciliou estudos e o cuidado com a casa até os 16 anos. Concluiu o 9º ano, deixando a escola ao fim de 2025. Mais recentemente, havia se mudado da casa da família para outro barraco do Siri. Sem encontrar oportunidades de trabalho, Gustavinho seguiu o roteiro da vida de vários jovens de periferia: embora figura pouco frequente na boca de fumo, começou a ter contato mais direto com o corre durante a adolescência.

Favela em festa

28 de março era um dia de alegria na Favela do Siri. Uma festa infantil acontecia desde o começo da tarde e garantia a diversão de boa parte das crianças da comunidade. As que não foram à festa, igualmente brincavam pelas ruas da vila. 

No final da tarde, mães e pais começavam a buscar seus filhos. Não deixar os pequenos andando sozinhos pelos becos do Siri tem sido uma prática cada vez mais comum entre os adultos, dada a violência que a polícia tem levado às vielas de areia. 

“Eles são muito violentos. Eles entram aqui a milhão com o fuzil apontado para dentro das casas. Não estão nem aí se tem criança aqui na porta, eles apontam o fuzil mesmo assim”, diz uma moradora.

Um episódio de violência generalizada havia acontecido ali cerca de dois meses antes. Em 29 de janeiro, a Prefeitura de Florianópolis demoliu nove residências do Siri contando com forte aparato policial durante a operação. Moradores foram agredidos e uma mãe atingida por um disparo de borracha. Duas semanas mais tarde, em 11 de fevereiro, a PM matou um cachorro ao disparar contra jovens do Siri durante uma incursão.

Na tarde de 28 de março não seria diferente. Pouco depois das 17h, duas viaturas brancas do 21º Batalhão da PM chegaram ao Siri em alta velocidade. Na extremidade oposta da rua de entrada da favela, iniciou-se a correria. 

“Quando suja, todo mundo corre. Dá medo, né?”

Quatro jovens pegaram à direita da rua de entrada, passaram por um grupo de crianças que brincava na estrada e chegaram a uma parte da comunidade marcada por becos mais estreitos. A polícia vinha na cola, causando pânico onde passava. 

Quando eles passaram correndo ali, o vizinho tava em cima do telhado. Tava arrumando o telhado e eles quase atiraram no vizinho. Eles iam atirar. Acharam que ele tava pulando o telhado, mas ele tava só arrumando”.

Virando a próxima esquina, acontecia a festa infantil. A polícia atirou por ali, apavorando as crianças. Uma delas, uma menina pequena, se perdeu e só foi encontrada pelos pais mais tarde, no topo das dunas que marcam o limite da comunidade. 

Começou a dar tiro, um monte de criança chorando, correndo. Uma das crianças até se perdeu, foram achar ela lá em cima da duna”.

Gustavinho havia passado mais cedo pela festa infantil, junto de seus irmãos mais novos. Mas o adolescente já havia ido para casa quando a polícia chegou na comunidade. Próximo ao local onde acontecia a festa, o grupo de jovens que corria desde o começo da perseguição se separou e dois deles foram para o beco onde Gustavinho estava desde que havia deixado o evento. 

Ao ouvir a correria, Gustavo também viu na fuga a melhor chance de sobreviver à mão armada do Estado. Achou que estaria mais seguro na casa de uma vizinha – onde, após ir ao banheiro, ficou sentado em uma cama, esperando a polícia ir embora do beco. Os outros dois jovens, que correram para outro imóvel, conseguiram fugir. Neste momento, Gustavinho, que não estava entre o grupo que a polícia começou a perseguir quando entrou na comunidade, virou o alvo da guarnição.

“Provavelmente o drone viu e avisou, aí eles ficaram em cima. Mas o menino tava desarmado, ele levantava a blusa o tempo inteiro”.

A moradora tirava a roupa do varal quando sua casa começou a ser cercada pela guarnição. Sua filha pequena brincava despreocupada. De repente, ambas foram retiradas do local por policiais e uma bomba de gás foi arremessada em direção ao quarto onde estava Gustavo, que pulou pela janela. 

Pés lavados e o último Gudang

Em um pequeno espaço entre duas casas, o adolescente se arrastou até alcançar um muro. Saltou para um terreno baldio e o atravessou, em meio a escombros de obras e mato alto, até chegar aos fundos de outra casa. 

Ao encontrar a moradora da casa, onde também funciona um mercadinho, Gustavo fez um pedido inusitado. Não queria um esconderijo, mas uma mangueira. Pensou que ali estava a salvo, decidiu parar de correr.

Eu quero lavar o meu pé”.

Na falta de uma mangueira, a dona da venda encheu um balde e lavou os pés do adolescente. Ele então pediu a ela um Gudang – cigarro de origem asiática que faz sucesso entre muitos jovens de Florianópolis. 

O adolescente acendeu seu cigarro e iniciou uma ligação telefônica com um amigo, quando viu a senhora entrar em casa. Permaneceu em um pequeno quarto abandonado na beirada do terreno baldio. 

A última parada de Gustavinho. Foto: Rodrigo Barbosa

Um drone seguia sobrevoando a região e ao menos uma viatura marrom do Patrulhamento Tático da PM havia se juntado às duas viaturas convencionais que inicialmente invadiram a comunidade. Policiais se posicionavam nas duas extremidades do lote onde estava o adolescente.

Minutos depois de Gustavo fumar seu último Gudang, mais de uma dezena de tiros de fuzil foram disparados da direção do muro que Gustavo havia pulado. “Eu pensei que ele tinha pulado de volta. Dali a pouco começou aquele tanto de tiro de lá pra cá. Veio de lá do muro”, conta uma pessoa que mora na vizinhança.

Eram cerca de 17h40. O sangue da cabeça do adolescente começou a tingir o solo do terreno baldio de vermelho. Os muros da redondeza ficaram marcados com diversas marcas de tiros nas paredes.

Ninguém passa

O caos que tomou conta do Siri após os tiros de fuzil da polícia foi registrado por diversos moradores. Gravar a ação de agentes públicos não apenas é legal, como tem sido a forma de várias comunidades terem provas de abusos num contexto onde a fé pública de policiais é tida como verdade absoluta – e num Estado onde operações policiais não são oficialmente gravadas pela própria polícia.

Geralmente eu não saio de casa quando tem tiro, mas hoje foi uma coisa fora do normal. Foi execução”, disse um morador que, enquanto circulava pela comunidade em busca de respostas, foi chamado de “verme” por uma policial feminina.

Em um dos registros feitos na tarde/noite do crime, é possível ouvir que quatro disparos foram realizados no local do crime pouco antes das 18h10 – ao menos 20 minutos após Gustavinho ter sido baleado. Para muitos moradores, aquele foi o momento da forja. 

Pra mim, aquela hora ali foi a hora que eles encenaram o confronto. Foi quando botaram a arma na mão dele e deram os tiros na parede pra criar a cena”.

As cenas seguintes foram de dor e medo. Ao menos cinco PMs encapuzados se colocaram à frente da casa onde o crime ocorreu, na Servidão Lindomar Álvaro da Silveira, ameaçando quem tentasse se aproximar. 

A mãe da vítima foi uma dessas pessoas. Chegou ao local às 18h18 e foi recebida aos gritos por policiais que apontavam fuzis para ela. “Ei! Ei! Fica aí!” 

Às costas dela, moradores começaram a se revoltar. 

Só deixa ela ver, gente. Como pode, meu Deus”. 

O que que ela vai fazer contra vocês?

Fala pra mãe se é ou não é, só isso. Dá uma atenção pra mãe! Cês não têm mãe não, né?

Naquele momento, não havia barreira física na rua indicando o local onde apenas agentes do Estado poderiam circular. A fita amarela e preta foi colocada pela PM quase dez minutos mais tarde – e respeitada pelos moradores. 

À frente dos policiais, ainda antes de a rua ser cercada por fita, a mãe se ajoelhou em desespero. Mesmo com a recusa dos policiais em dar informações à comunidade, no fundo, ela já sabia que Gustavo estava no terreno baldio aos fundos daquela casa. Aos prantos, berrou para que a comunidade inteira pudesse ouvir.

Ai meu Deus, é o meu filho! Por que vocês fizeram isso?

Ela foi amparada por duas moradoras e seguiu tentando, sem sucesso, ver o corpo do filho – até a saída do rabecão, horas mais tarde. Mas a mãe da vítima não foi a única ameaçada naquela noite. Via de regra, moradores que tentavam passar pela Servidão Lindomar Álvaro da Silveira eram impedidos e tinham fuzis apontados para si, ainda que o crime não tenha acontecido em via pública ou próximo da entrada de nenhuma casa – mas num lote aos fundos de uma delas. Circular pelas vias públicas da região tornou-se um desafio para quem tentava voltar para casa no final da tarde de sábado.

PM impediu moradores de circular pelas ruas do Siri logo após matar o adolescente Gustavinho. Imagens registradas por moradores

Quando a polícia cercou a área, duas multidões se formaram nas duas extremidades das fitas. A falta de uma resposta do Estado àquela altura ainda deixava moradores na dúvida se um segundo jovem também havia sido baleado, pois ele estava desaparecido. Só foram saber que ele estava vivo quando a polícia deixou o local. 

Além de denunciar o descaso com a mãe da vítima, a ausência de um confronto no território e de uma arma na posse de Gustavinho, a multidão que foi à rua onde ocorreu o crime ainda reclamava do atraso do socorro. 

Escoltada por uma viatura do Batalhão de Choque que rasgou as vielas do Siri em alta velocidade, a ambulância do SAMU chegou ao local às 18h36, cerca de uma hora após a rajada de fuzil. A um veículo da mídia tradicional, o SAMU afirmou que foi acionado pela polícia às 18h18, cerca de meia hora após o homicídio.

Os médicos deixaram a cena do crime menos de 10 minutos após entrarem. Quando a maca vazia deixou a residência, os moradores tiveram certeza da morte. Desde 2017, aquele era pelo menos o nono morador da comunidade morto pela polícia no Siri. Na favela, o passo a passo após uma viatura policial cercar o local do crime já é conhecido de cor.

Ó lá, ó. Saíram. Mataram o guri. A ambulância vai sair e o corpo ficou. Agora quem vem é o IML”. 

A Polícia Científica, responsável pela análise e perícia da cena do crime, chegou ao Siri pouco depois das 19h30 – quase duas horas após o homicídio. O rabecão que levou o corpo do jovem entrou na Servidão meia hora mais tarde. Às 20h30, quando Gustavo estava morto há quase três horas, o Estado começou a se retirar do Siri – não sem antes levar mais violência à favela.

Moradores que protestavam na Servidão Lindomar Álvaro da Silveira foram expulsos do local por tiros de borracha. Bombas de gás também foram arremessadas em vários pontos do território. Com parte das vielas ainda interditadas, moradores começaram a correr sem rumo pelos becos de areia do Siri. Entre o medo de a polícia voltar durante a noite e a dor pela perda de mais um dos seus, vários deles passariam a noite em claro.

PM disparou tiros de borracha e bombas de gás contra a população ao deixar o Siri. Imagens registradas por moradores

Dor que não vai embora com a morte

A postura violenta do Estado com a família de Gustavo e a comunidade do Siri não se resumiu ao dia e local do crime. A busca por informações continuou após o rabecão deixar a favela. Ao chegar ao Instituto Geral de Perícias (IGP), para onde corpos de vítimas de mortes violentas são levados, a mãe do adolescente foi informada que não poderia fazer o reconhecimento de seu corpo. 

Após muita insistência, lhe foi apenas mostrada uma foto do rosto sem vida do filho – que estava sem nenhum documento consigo no momento da morte. Sua família tampouco conseguiu localizar o RG do adolescente, o que afetou o processo de liberação do corpo. Também na funerária, a família foi impedida de ter contato com o corpo do garoto. 

Nem na funerária deixaram, ninguém pôde vestir. A gente não pôde em momento algum, ninguém viu o guri”, relatou uma moradora que acompanhou a família na funerária.

A solução, então, foi ir até a Delegacia para tirar a segunda via do documento de Gustavo. Quando sua mãe explicou ao servidor responsável que o filho havia sido morto por policiais militares, o Estado foi cruel mais uma vez. 

A gente foi na Delegacia pra ver se tinha algum documento pra liberar o corpo. E nisso que ela foi na Delegacia pra tentar pegar um documento, ainda debocharam dela”, conta uma amiga da mãe. 

O corpo de Gustavo foi liberado pela funerária na segunda-feira, dois dias após o homicídio, tendo sido este o primeiro momento que moradores do Siri viram seu corpo. Ele já estava vestido para o velório. Mas em uma das poucas partes de seu corpo que ainda restavam à mostra, estava a prova do crime. Na região da nuca, havia duas marcas de tiro. 

A gente só viu tiro porque foi na cabeça. Tinha um buraco aqui e um aqui. E um do outro lado que acho que foi onde saiu. Mas a gente acha que foi mais tiro”, contou uma das pessoas que viu o cadáver do adolescente. 

A denúncia é amparada pela Certidão de Óbito de Gustavo – o único documento ao qual a família teve acesso até o momento. Nele, a causa da morte é “traumatismo crânio encefálico”. Ou seja, os ferimentos observados pela família de Gustavo em seu corpo foram os responsáveis por fazer o adolescente morrer. 

Desde o dia da morte, família e comunidade ainda têm de lidar com o que viram e ouviram nos jornais. Gustavinho, menor de idade, foi definido por termos como “um homem”, “traficante” e “criminoso” em diferentes veículos da mídia comercial – além de ter tido sua imagem divulgada sem autorização dos familiares. 

Não era o homem que eles botaram ali. Era um homenzinho, um menino de 17 anos. Mas aqueles bagulho que botaram dele na TV, aquilo me chocou. Botaram que era ladrão, só coisa assim. A foto do guri estampada assim, como se fosse criminoso. Mas ele não era. Quem conviveu com ele, sabe”.

A PM afirma que foi à comunidade do Siri para fazer um patrulhamento contra o tráfico de drogas, quando um homem adulto supostamente com mandado de prisão ativo foi visto correndo. Este homem teria conseguido fugir ao lado de outros dois. Ainda segundo a polícia, Gustavo seria o quarto indivíduo do grupo e teria trocado tiros contra os agentes.

Testemunhas que viram o jovem em diferentes momentos e lugares antes da morte afirmam que Gustavinho usava uma camisa preta na tarde em que morreu, e que a levantou diversas vezes para tentar afastar o calor e secar o suor do rosto naquele fim de tarde. Não havia arma em sua cintura. 

O áudio dos quatro tiros captados em vídeo por um morador foram os últimos disparos efetuados na região até que tiros de borracha foram disparados pelo Batalhão de Choque, já no começo da noite, quase três horas após a morte. Além disso, Gustavinho não estava no grupo que inicialmente correu dos policiais, tendo ele começado sua fuga sozinho, após ver outros jovens correndo pelo beco em que estava.

Passaram-se apenas dez dias desde o homicídio de Gustavinho até que o Siri voltasse a chorar a morte de um dos seus. Em 7 de abril, terça-feira, drones sobrevoaram a comunidade mais uma vez. Instantes depois, a PM tirou a vida de Nicolas, jovem negro de 29 anos. Tiros de fuzil foram registrados nos fundos da comunidade. A operação, assim como a que vitimou Gustavinho, aconteceu por volta das 17h – quando as crianças do Siri voltavam da escola e da creche. Segundo relatos de moradores, trata-se de mais um homicídio com tiro na cabeça.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja mais

Papo reto

O Papo Reto é nosso boletim informativo diretamente no seu Whatsapp.

Ele traz um resumo da nossa última notícia de forma rápida e direta para você se manter informado. Você pode escolher receber o resumo em áudio, vídeo ou texto.

Disponível a partir de janeiro de 2025.



Apoie o Desterro

Jornalismo independente e antirracista nas favelas de Floripa

Apoie o Desterro

Jornalismo independente e antirracista nas favelas de Floripa