2025 foi o ano mais letal da história da polícia em Florianópolis

Forças de segurança foram responsáveis por 37 vítimas no último ano, o que corresponde a mais da metade do número de mortes violentas na cidade. 2026 começou em ritmo ainda mais violento

Reportagem de Rodrigo Barbosa

Em novembro de 2025, o Desterro lançou o relatório “Segura Pra Quem?”, que analisou as mortes decorrentes de ações policiais em Florianópolis no período dos últimos dez anos. O documento evidencia uma crescente de violência policial em nossa cidade, em especial em territórios periféricos. 

Cerca de um mês antes, havíamos denunciado que a polícia de Florianópolis havia batido seu recorde anual de mortes, que até então era de 22 mortes decorrentes de ação policial. Àquela altura, registrávamos 25 vítimas em nossa cidade – marca esta atingida em agosto, a quatro meses do fim de 2025.

Desde então, entramos no último ano antes das eleições para o Governo de Santa Catarina e pouco mudou. Pelo contrário, recordes negativos seguiram sendo batidos. Nosso levantamento mostra que o ano de 2025 foi o primeiro, na última década, onde a polícia matou mais que a população na capital catarinense.

Histórias que se repetem

Eram seis da manhã quando a polícia chegou na favela. A comunidade ainda dormia, mas, aos poucos, alguns vizinhos foram acordados pelo som das botas caminhando pelos becos. O destino dos policiais era uma casinha de madeira. Invadiram o imóvel e avançaram pela sala, chegando ao quarto de um dos moradores. Sem que houvesse tempo de reação, abriram fogo contra mais um jovem negro na presença de sua família.

Em seguida, os familiares da vítima, ainda em choque, foram expulsos da casa de madeira e intimidados por policiais militares. Uma arma não reconhecida pela família foi supostamente encontrada no chão do quarto, que tingia-se de vermelho. O SAMU chegaria momentos mais tarde para constatar o óbvio: a vítima estava morta. Desde então, família e comunidade convivem diariamente com a dor, o medo e o luto. 

Lolinha se foi aos 19 anos em 24 de janeiro, no Maciço do Morro da Cruz, pelas mãos do 4º Batalhão da PMSC. Diego era um adolescente de 16 anos quando, em 26 de setembro, o 22º Batalhão tirou sua vida no Complexo do Monte Cristo. Os dois parágrafos acima descrevem simultaneamente a morte de ambos e evidenciam uma série de práticas e ações violentas da polícia que são repetidas cotidianamente em comunidades de diferentes regiões de Florianópolis. 

A morte de Lipe é mais um exemplo dessa repetição de padrões. O jovem negro de 28 anos foi morto no mesmo dia que Diego – apenas três horas depois – e no mesmo território: o Complexo do Monte Cristo, na região continental da cidade. Mais especificamente, Lipe protestava pela morte do adolescente quando, desarmado, foi atingido por um único tiro de fuzil na cabeça.

Exatamente seis meses antes, em 26 de março, outro jovem negro também foi vítima de um disparo de fuzil na cabeça, em uma das quebradas de Floripa. Tininho tinha apenas 15 anos quando foi perseguido e baleado pelo 21º Batalhão da PMSC, na Vila Cachoeira, no Norte da Ilha. 

Além da semelhança nos disparos, ambos casos também têm em comum denúncias das comunidades em relação ao atendimento médico recebido pelas vítimas. Em relação ao homicídio de Lipe, a comunidade denuncia que a própria família teve que prestar socorro. No caso do adolescente, testemunhas afirmam que as quase duas horas para que ele chegasse ao Hospital Celso Ramos foram fundamentais para sua morte cerebral.

São histórias que se repetem em um momento especialmente crítico para a Segurança Pública de Florianópolis. Lolinha, Diego, Lipe e Tininho foram apenas quatro das 37 vítimas que a polícia fez em nosso território durante o ano de 2025. O número representa um aumento de 68% em relação ao ano que era, até então, o mais sangrento da história da polícia manezinha: 2024, com 22 vítimas. 

2025 foi o ano mais letal da polícia de Florianópolis. Arte: Bruno Ruthe

Mais um recorde negativo que chama atenção no ano passado é que, pela primeira vez desde o início do período analisado por nossa organização (2015), a polícia matou mais que a população da cidade. 54,4% das mortes violentas cometidas em Floripa durante o ano de 2025 foram de responsabilidade de policiais. 

Pesquisadores do Anuário Brasileiro de Segurança Pública utilizam 10% como a porcentagem onde é possível considerar que há indícios consistentes de abuso da violência policial – ou seja, estamos cinco vezes acima dessa marca. 

Além das mortes em intervenção policial, também compõem o conjunto de mortes violentas: homicídios, latrocínios, feminicídios e lesões corporais seguidas de morte. Foram registrados 31 crimes letais cometidos pela população na capital catarinense, contra 37 por agentes de segurança. Nenhum policial foi vitimado na cidade.

Mais da metade das mortes violentas de Florianópolis no ano passado foram cometidas por agentes de segurança. Arte: Bruno Ruthe

De janeiro a dezembro

Poucos homicídios causaram tanta comoção popular recentemente quanto o de Preto. Hudson Pinheiro, de 17 anos, descia o Morro do Mocotó para encontrar amigos para o rolê da sexta à noite quando foi executado pelo 4º Batalhão. Morto em 12 de dezembro de 2025, o adolescente não possuía ficha criminal e tinha longo histórico de trabalho e participação em projetos sociais de sua comunidade. 

Após a morte de Hudson, iniciou-se uma série de manifestações por justiça. Além da completa ausência de ligações do garoto com práticas criminosas, há também denúncias da comunidade de que a cena do crime foi alterada pela polícia. Protagonista das manifestações, a comunidade do Mocotó ainda demonstrou a força de sua articulação comunitária ao fazer com que o caso tenha virado tema de uma audiência, recém-aprovada e ainda sem data definida, na Câmara Municipal de Florianópolis.

Mas o assassinato de Hudson também foi o marco de mais um entre tantos recordes negativos recentes na Segurança Pública de Florianópolis. Quando o corpo do adolescente foi ao chão, a polícia confirmou que mataria ao menos uma vítima na cidade em todos os meses do ano pela primeira vez na história. De janeiro a dezembro, as favelas de Florianópolis sangraram sem intervalo. 

Quase 40% das vítimas da polícia em todo o estado de Santa Catarina em 2025 morreram na capital. Houve uma divisão quase igual entre os dois semestres em Florianópolis: 19 vítimas de janeiro a junho; 18 de julho a dezembro. 

Janeiro foi o mês recordista, com seis óbitos no total. Dentre eles, além de Lolinha, casos como os de Romário, morto no Morro do Macaco ainda no primeiro dia do ano; e Betinho, homem portador de nanismo morto durante uma crise, dentro de um imóvel da família na Praia da Solidão, no Sul da Ilha. 

Entre fevereiro e junho, foram mais 13 óbitos em quatro regiões diferentes da cidade – entre eles Tininho, que inicialmente teve sua morte ocultada dos dados do governo estadual. Também neste período morreram jovens como Natanael (19), que, segundo a comunidade do Siri, estaria desarmado e ferido quando foi vítima de uma rajada de fuzil; e Jefferson (24), morto após uma série de operações conduzidas no Morro do Horácio com o objetivo de solucionar um suposto crime denunciado por um delegado – denúncia cuja dinâmica foi posteriormente desmentida por um vídeo de câmera de segurança.

Mas, se houve violência, houve também resistência. Ainda no primeiro semestre, Florianópolis recebeu pela primeira vez o Encontro Nacional de Mães e Familiares de Vitimas de Terrorismo do Estado. O evento evidenciou a importância de nosso território na luta nacional contra a violência policial e contou com uma grande manifestação, protagonizada por mães, irmãs, avós e companheiras de vítimas no Centro de Floripa. 

Os meses de agosto e novembro foram os mais violentos do segundo semestre de 2025, com cinco vítimas em cada. Em novembro, o caso de maior destaque trata-se da primeira chacina policial registrada em Florianópolis em, no mínimo, dez anos – quando quatro moradores do Papaquara foram mortos simultaneamente. 

Em agosto foi quando o 4º Batalhão tirou a vida de dois moradores do Morro da Costeira simultaneamente. Uma das vítimas era Antônio Danilo, jovem de 19 anos que trabalhava como barbeiro e, assim como Hudson, não possuía antecedentes criminais. A morte de Danilo chocou a comunidade do Sul da Ilha e deixou suas duas filhas pequenas órfãs.

O perfil das vítimas

A proporção de pessoas negras entre as vítimas da polícia em Florianópolis costuma ser duas vezes maior que o número de pessoas negras na população de nossa cidade, como demonstramos no relatório “Segura Para Quem?”.

O cenário se repete em 2025, um ano especialmente violento para o povo preto na cidade. O número de vítimas negras é de quase 50% – na cidade como um todo, pessoas negras representam cerca de 23% da população. Entre as vítimas da polícia com raça registrada, há mais pessoas não-brancas do que vítimas brancas (duas das 37 vítimas não tiveram suas raças identificadas).

A média etária das vítimas da polícia em 2025 foi de 26 anos. Esta porcentagem é um pouco superior à média da última década, mas ainda assim evidencia a constante predominância de vítimas jovens (até 29 anos). Cinco menores de idade perderam a vida para a polícia em Florianópolis no último ano – aos 15 anos, Tininho era o mais jovem deles.

Cerca de 70% das vítimas de 2025 morreram em comunidades periféricas – incluindo, pelo menos, 13 das 17 vítimas negras. Na contramão desta estatística, ⅔ das vítimas que morreram no asfalto eram brancas. 

O Papaquara, localizado no Norte da Ilha, foi a comunidade periférica com o maior número de óbitos registrados pelo nosso levantamento: foram pelo menos cinco vítimas na comunidade do Norte da Ilha – número este impulsionado pela chacina de 2 de novembro. Na extremidade oposta da cidade, a Costeira vem logo em seguida, com quatro vítimas. 

Além do Papaquara e da Costeira, outros territórios periféricos que registraram múltiplas mortes durante o ano foram: Monte Serrat (duas vítimas), Morro do Horácio (duas vítimas, além de uma no vizinho Morro do Macaco) e Complexo do Monte Cristo (uma morte na Chico Mendes, uma no Pasto do Gado e uma na Grota). 

Em dois dos 37 casos – um ocorrido no Centro e um na Cachoeira do Bom Jesus, no Norte da Ilha – não foi possível determinar a localidade exata dos óbitos. Logo, o número de mortes em territórios periféricos em 2025 pode superar os 75%.

Mulheres na mira

Outra marca negativa para nossa Segurança Pública em 2025 é que, pela primeira vez em 12 anos, tivemos registro de uma mulher sendo vítima da polícia. Ou, neste caso, uma menina. A vítima era uma adolescente de 17 anos, morta na noite de 10 de fevereiro na Chico Mendes – comunidade que integra o Complexo do Monte Cristo, maior agrupamento de favelas da região continental de Florianópolis.

Desde então, novos episódios de violência policial contra mulheres foram registrados em diferentes regiões da cidade. Em outubro do ano passado, por exemplo, uma mulher foi atingida no olho por um tiro de borracha quando chegava do trabalho no Morro da Penitenciária, no bairro da Agronômica. 

Em 29 de janeiro de 2026, um episódio de violência generalizada aconteceu na Favela do Siri. Várias corporações da Segurança Pública agrediram moradores durante uma ação de demolição sumária chefiada pela Prefeitura de Florianópolis. Entre as vítimas, uma mulher foi atingida por disparo de borracha na barriga e várias outras receberam spray de pimenta – assim como moradoras que protestaram pelas mortes de Diego e Lolinha no ano passado.

Moradora da Favela do Siri, no Norte da Ilha, atingida por tiro de borracha. Foto: Rodrigo Barbosa

Cerca de uma semana depois da ação violenta no Siri, uma mulher foi vítima de uma série de agressões durante a comemoração do primeiro aniversário da barbearia da família, na Chico Mendes. Entre as violências sofridas, ela foi agredida no rosto por um PM quando já se encontrava no chão. 

Dois dias mais tarde, no dia 9 de fevereiro, um caso parecido foi registrado na cidade de Braço do Norte, no Sul do Estado. Um agente masculino da PMSC derrubou e imobilizou violentamente uma mulher durante abordagem em um posto de gasolina. Na mesma ação, um homem já rendido desmaiou após ser vítima de um mata-leão aplicado por um policial. Em uma nota da PMSC a um veículo da mídia comercial, a corporação definiu a mulher agredida como “um indivíduo”. 

Em 8 de março, agentes da Polícia Militar e da Guarda Municipal de Florianópolis agrediram manifestantes durante a marcha do 8M – mobilização mundial que acontece anualmente para celebrar o Dia Internacional da Mulher e que, na capital catarinense, reuniu milhares de ativistas.

Na marcha de Floripa, várias mulheres foram agredidas com empurrões e spray de pimenta quando terminavam de cruzar a Avenida Beira-Mar Norte, em um protesto pacífico. Uma mulher ainda sofreu enforcamento de um agente de Segurança Pública. Mesmo assim, vítimas deste caso foram registradas em Boletins de Ocorrência como autoras de supostas irregularidades. 

Câmeras corporais e o começo de 2026

O sistema de câmeras corporais da PMSC foi abolido em 24 de setembro de 2024 por decisão do governador Jorginho Mello. Em maio de 2025, o Desterro publicou um levantamento inédito que ilustrou o quão violento tem sido o período pós-câmeras em Florianópolis – ainda que também tenhamos pontuado que o sistema que ficou em vigência durante cinco anos em Santa Catarina era, na prática, manipulável de várias maneiras. 

Dez meses depois de nosso primeiro levantamento sobre as câmeras, a média de mortes em nosso território segue alarmante. 

Nos quatro anos anteriores à introdução do sistema de câmeras corporais, em julho de 2019, a polícia matou uma pessoa a cada 26 dias em Florianópolis. Durante os cerca de cinco anos nos quais o equipamento esteve em vigência, essa média manteve-se praticamente igual: uma pessoa morria a cada 26,1 dias. 

De 16 de setembro de 2024, quando o sistema foi abolido, até o fim de 2025, a polícia matou uma pessoa a cada 10,7 dias em Florianópolis. Trata-se de um aumento de 143% (ou quase 2,5 vezes) no ritmo das mortes decorrentes de ação policial desde a extinção do sistema de câmeras – que estão hoje no centro do debate da Segurança Pública em Santa Catarina. 

A 40ª Promotoria do Ministério Público e a Defensoria Pública de Santa Catarina, por exemplo, entraram com uma Ação Civil Pública no segundo semestre do ano passado pedindo o retorno do equipamento de filmagem. 

Há também um processo no Supremo Tribunal Federal, movido pelo Instituto Anjos da Liberdade, que pede que os efeitos da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 365 sejam aplicados em Santa Catarina, devido a violência sistêmica praticada por nossas polícias e pela falta de eficácia de nossos sistemas de controle externo. 

Além das câmeras corporais, a ADPF 365 (mais conhecida como ADPF das Favelas) também determina o planejamento prévio das ações policiais e regulamenta questões relacionadas às perícias dos casos de homicídio cometidos por agentes de segurança. 

Mandatos parlamentares ligados ao campo progressista e a Ordem dos Advogados (OAB-SC) também já se manifestaram diversas vezes pela volta das das câmeras. Vídeos gravados por testemunhas de casos de violência têm sido utilizados nas redes sociais por diversos setores da população como forma de fiscalização da atuação da polícia nos territórios. 

Fardamento da PMSC não conta com câmeras corporais há cerca de um ano e meio. Foto: Rodrigo Barbosa

Mas o Estado parece pouco aberto a mudanças. Em uma audiência de conciliação relacionada à Ação Civil Pública movida pelo MPSC, realizada em setembro do ano passado, a PMSC comprometeu-se a apresentar o resultado de estudos sobre a possibilidade do retorno das câmeras dentro de um prazo máximo de 180 dias. O prazo se encerra no fim de março de 2026 e ainda não houve manifestação por parte da corporação ou qualquer tipo de indicativo de que o Estado esteja aberto à possibilidade do retorno do sistema.

Enquanto isso, a violência segue aumentando. Entre 1º de janeiro e 4 de março de 2026, a polícia já fez 10 vítimas na cidade. Neste primeiro recorte do ano, uma pessoa morreu pelas mãos armadas do Estado em Florianópolis a cada 6,2 dias – ritmo superior ao do período pós-câmeras como um todo. 80% das primeiras dez vítimas da polícia em 2026 eram negras.

O perfil racial das vítimas da polícia em 2025. Arte: Bruno Ruthe

Os casos de homicídio cometidos por policiais mapeados pelo Desterro em 2026 aconteceram todos em territórios periféricos. A maior parte deles ocorreu no Norte da Ilha. Além de uma morte no Morro do Caju, sete vítimas foram registradas na comunidade do Papaquara. É um número sem precedentes para uma mesma comunidade em um mesmo ano (neste caso, em apenas 62 dias). 

Assim como no ano passado, os números do Papaquara em 2026 são impulsionados por uma chacina. Quatro pessoas foram mortas simultaneamente pelo BOPE na manhã de 4 de março. Se não havia registros de chacinas policiais em todo o território de Florianópolis na última década, o Papaquara foi palco de duas em menos de quatro meses.

As outras mortes em decorrência de ação policial mapeadas por nosso levantamento nos primeiros 62 dias de 2026 aconteceram no Maciço do Morro da Cruz, agrupamento de favelas da região central. Foram registrados óbitos nos vizinhos Morros da Mariquinha e do Mocotó – comunidades que abrigam as duas maiores galerias de arte a céu aberto da cidade.

No caso do Mocotó, vários disparos de fuzil foram realizados pela PM do asfalto em direção ao morro – causando pânico nos moradores, mas também tendo reflexos no asfalto. As duas semanas seguintes foram marcadas por incursões policiais diárias no Moca, com alto poder de fogo e sobrevoo de helicópteros. Estas operações foram realizadas, em sua maioria, entre às 16h e às 18h – horário de alta circulação no morro, quando crianças chegam da escola ou saem dos projetos sociais da comunidade. 

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