Segurança pública nas eleições em SC: candidatos apostam em armas e tecnologia enquanto letalidade policial cresce

Segunda edição do relatório “Segura para quem?” identifica propostas de ampliação do armamento e uso de drones e fuzis em guerra as favelas; pesquisa compara a letalidade policial nas últimas três gestões estaduais em Santa Catarina

Como as políticas de segurança pública impactam o cotidiano das comunidades periféricas de Santa Catarina? Às vésperas das eleições, buscamos responder esta pergunta com o lançamento da segunda edição do Relatório “Segura pra Quem?”. 

Um ano após mapearmos quem eram as vítimas da polícia em Florianópolis e onde elas morreram, em 2026, nos propomos a apresentar como a violência policial se manifestou durante diferentes mandatos do governo estadual – desta vez, com dados não apenas de Florianópolis, mas de todo o Estado de Santa Catarina. 

O resultado do levantamento evidencia que, apesar da propaganda de que é “o Estado mais seguro do Brasil”, o estado de Santa Catarina nunca foi tão violento: a marca de 100 vítimas no estado é a maior já registrada desde o começo de nosso levantamento, em 2015. 

2025 foi o ano mais letal da história da polícia em Santa Catarina

Este dado chama especial atenção pois a sociedade catarinense tem sido cada vez menos violenta – com quase uma década de diminuição nas mortes violentas em Santa Catarina. Nos matamos cada vez menos, mas somos mortos cada vez mais. 

Como resultado, a taxa de mortes violentas cometidas pela polícia disparou em nosso estado. Pelo quarto ano seguido, temos essa porcentagem acima dos 10% – marca que é definida pela própria PM de Santa Catarina como um “cenário crítico”. Os quatro anos em sequência batendo este recorde negativo coincidem com o atual mandato do governo estadual. 

Em Florianópolis, a situação é ainda pior. No ano passado, superamos os 50% de participação policial nas mortes violentas – e vamos para nosso 9º ano seguido com essa taxa acima dos 10%, indicando um cenário onde há sérios indícios de uso abusivo da força policial. 

Polícia de Florianópolis matou mais que a população da cidade em 2025

A sequência de recordes negativos na capital catarinense também é impactada pelas políticas da atual gestão estadual. A seis meses do fim do mandato de Jorginho Mello, sua polícia já matou mais pessoas em Florianópolis que os últimos dois mandatos somados. 

Nos últimos três anos e meio, sob a gestão de Jorginho, mais de 87% das vítimas da polícia na capital morreu em territórios periféricos. Para cada pessoa morta pela polícia no asfalto em Florianópolis, sete pessoas perderam a vida em favelas. Apenas no Maciço do Morro da Cruz, maior aglomerado de favelas da cidade, foram mortas 29 pessoas na atual gestão.

Quase 90% das vítimas da polícia no governo Jorginho em Florianópolis foram mortas em periferias

Para além do território, os perfis das vítimas também mostram que a maioria eram jovens. Desde 2015, a porcentagem de jovens entre as vítimas da polícia em Santa Catarina é de 70% – em Florianópolis, quase 80%. 

Além disso, também fica evidente que a polícia catarinense mata cidadãos negros de maneira desproporcional. A taxa de pessoas negras entre as vítimas da polícia é muito superior à porcentagem de pessoas negras em nossa população como um todo – no caso de Floripa, duas vezes maior. 

Proporção de pessoas negras entre as vítimas da polícia é duas vezes maior que a porcentagem de pessoas negras em nossa população

Mas nada disso é sem motivo. As diversas marcas negativas registradas por nossa Segurança Pública são fruto de políticas e discursos colocados em prática por nossos governantes. Na segunda edição de nosso relatório, para além dos dados, analisamos também como várias das propostas para a área da Segurança Pública são ineficientes para aumentar nossa sensação de segurança. 

Nestas eleições, como nas últimas, políticos têm prometido que vão acabar com o crime por meio de uma série de políticas que visam prender mais, prender por mais tempo, piorar a qualidade de vida das pessoas privadas de liberdade e punir de outras formas além da prisão. Prometem que vão comprar mais armas, armas melhores – armas que matam mais. 

Mas, quais são os cidadãos catarinenses que estas armas matam? Qual é a cor da pele e o CEP dos cidadãos catarinenses cujos corpos vão para o chão? Se as prisões estão lotadas e os jovens das periferias são mortos ano após ano, por que o crime continua acontecendo? 

Te convidamos para repensar como você, pessoa negra, indígena, migrante ou periférica, cidadão catarinense, será atingido pela atuação dos governantes eleitos em 2026. Não viemos te dizer em quem votar ou não. 

Mas, queremos te lembrar que algumas promessas se repetem, eleição após eleição – e nada, de fato, melhora no seu território. O voto é um instrumento de poder. Pense no que quer fazer com o seu. 

Para acessar o relatório “Segura pra Quem? Uma conversa sobre segurança pública nas eleições 2026”, clique aqui:

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